Vocacionados do Pai:

Vocacionados do Pai:
Somos Escolhidos!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SÃO FRANCISCO DE CAMPOROSSO (1804 – 1866) 20 de Setembro

O povo o chama de “o padre santo”.
Francisco nasceu em Camporosso no ano de 1804, de pais trabalhadores e profundamente religiosos; era o caçula de quatro filhos. Aos doze anos foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem às sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham-lhe uma grande admiração e o chamava de eremita.
Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante entre os conventuais não satisfez seus desejos e aspirações; bate então, à porta do frades capuchinhos e, no ano de 1825, começa o noviciado em Gênova.
Frei Francisco Maria expressou seu programa num lema: “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição em, em Gênova onde passará a vida toda; os primeiros dois anos a serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois no oficio de esmoleiro da cidade de Gênova.
Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, saco aos ombros, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo.
Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade, sempre acompanhado por um menino, para evitar situações escabrosas em certos ambientes que era obrigado a visitar. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança; parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”.
A figura de frei Francisco era popular inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e para todos tinha uma palavra de conforto.
Dedicava parte da noite à oração e à penitencia, em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever.
Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia; as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o numero de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vitima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a epidemia começou a diminuir e em pouco tempo acaba; todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo.
Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

BEM-AVENTURADO APOLINÁRIO DE POSAT (1739 – 1792) 02 de setembro

O nosso bem aventurado é originário de Posat, Suíça. Teve uma boa formação cristã segundo os costumes da região. Freqüentou o colégio dos Jesuítas em Friburgo, onde terminou seus estudos humanísticos e filosóficos de maneira brilhante.
Os jesuítas teriam gostado se o jovem tivesse escolhido a sua Companhia, mas ele preferiu os Capuchinhos e no dia 26 de setembro de 1762, iniciou o noviciado sob direção de frei Dionísio de Lucerna.
Foram anos silenciosos de formação e estudos de aprimoramento teológico, intelectual e espiritual. Foi ordenado sacerdote em Sion em 1769, iniciando assim sua atividade apostólica. Durante a semana trabalhava na igreja do convento, nos domingos e festividades ajudava o clero diocesano.
Por sua vida exemplar e competência cientifica, os superiores o nomearam professor de Teologia em Friburgo no ano de 1774, e em 1783, mestre dos noviços em Alt-Fort. Por seu desempenho nos dois encargos, foi nomeado prefeito do colégio Stans em 1785, onde encontrou o ambiente certo para mostrar seus talentos de mestre, educador, pregador e diretor espiritual.
Dedicou-se ao trabalho com grande entusiasmo, produzindo bons frutos. Mas, nos planos da Providencia, esta mesma atividade deveria principalmente, proporcionar-lhe grandes sofrimentos morais, que o prepararam para o martírio.
Foi criticado de heterodoxia, o que resultou em infundadas calúnias; atacam, então, sua vida sacerdotal. Ferido no ponto mais sensível de sua alma, frei Apolinário soube aceitar tudo por amor de Deus, colocando-se totalmente em suas mãos. Entretanto, a fim de defender a reputação da Ordem, os superiores ordenaram-lhe que se defenda e desminta as acusações. Frei Apolinário obedece, e em seguida pede transferência, a fim de poupar os confrades de novas moléstias. Vai para Lucerna, depois a Paris, onde se prepara apara ser missionário na Ásia.
Os confrades franceses confiam-lhe a numerosa colônia alemã de Paris. Frei Apolinário a assiste com costumeiro zelo, obtendo, assim, frutos abundantes. Entretanto, a revolução francesa iniciada em 1780, transforma Paris num palco de atrozes crueldades, desencadeando uma perseguição cruenta ao clero que não aceitava o juramento civil. Frei Apolinário, como a maioria do clero, não aderiu ao juramento; vê-se novamente caluniado, e no dia 14 de agosto de 1792 foi preso e jogado na Igreja dos Carmelitas, usada como prisão.
Frei Apolinário com sua palavra apostólica e sua caridade franciscana, admoestava os 150 sacerdotes que estavam com ele a serem fortes e a dar com coragem e alegria o testemunho do sangue ao Cristo e à sua igreja. No dia 02 de setembro também ele deu heroicamente este testemunho, sendo com eles martirizado.
Na sua ultima carta, escreveu: “sou o trigo de Cristo. Os dentes das feras devem moer-se, para transformar-me em pão. Aleluia”. Parece ouvir as palavras de Santo Inácio de Antioquia...
Sua vida que não teve nada de extraordinário foi sempre guiada pela divina providência que lhe preparou o martírio. Podemos constatar que o martírio foi fruto e coroa de uma dedicação fiel ao serviço de Cristo entre o sacrifício e as dificuldades da vida cotidiana.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Você é chamado? Passos para descobrir a vocação.



Você tem se perguntado se Deus está ti chamando a vida sacerdotal ou religiosa?
Muitos jovens se sentem interpelados por Deus. Mas não poucos sabem como dar os passos concretos na descoberta de sua vocação.

O discernimento do Chamado de Deus é um processo muito pessoal, mas você não precisa enfrentar este processo sozinho. Eis aqui alguns passos que podem ajudá-lo a discernir o chamado de Deus.

Coloque-se em Oração - A oração é o momento em que o ser humano se coloca na presença de Deus e procura “abrir os ouvidos e o coração” para Ele. É rezando que podemos descobrir o que Deus quer de nós.

Procure uma Direção Espiritual - Procure um sacerdote que possa te orientar na escuta de Deus. Assim como o jovem profeta Samuel precisou do sacerdote Eli, para perceber que Deus o estava chamando (Cf. ІSam.3, 1-9), cada pessoa precisa de um guia espiritual para ajudá-lo a reconhecer a voz de Deus em sua vida.

Contate-se com uma comunidade religiosa ou um seminário – é importante contatar-se com uma instituição formativa na qual você poderá aprofundar o processo de discernimento. Toda comunidade religiosa ou diocese tem uma pastoral vocacional.

Visite um seminário ou uma comunidade religiosa – é fundamental fazer uma visita, ou melhor, ainda, uma experiência em alguma instituição formativa. Esta experiência ajuda a ”sentir” o clima de seminário e da vida religiosa.

Faça o acompanhamento vocacional – todas as congregações e dioceses possibilitam um tempo de acompanhamento, antes da decisão de entrar na casa de formação religiosa, ou no seminário, para ajudar à pessoa a melhor discernir sua vocação.

Fique aberto para a vocação que Deus esteja te chamando, seja ela qual for - sua vocação pode não ser aquilo que você mesmo projetou para si, por isso não se oponha a Deus.

Se ao longo deste processo fica claro que Deus te chama à vida religiosa ou a vida sacerdotal, não hesite em responder a este chamado. Ouça as encorajadoras palavras do Papa João PauloІІ quando ele diz: “aos jovens de hoje digo: Sedes dóceis à voz do Espírito. Não tenhais medo de abrir o vosso espírito ao chamamento de Cristo, senti sobre vós o olhar amoroso de Jesus e respondei com entusiasmo à proposta de um seguimento radical”.(Pastores Dabo Vobis. 82.)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vocação: caminho de identificação pessoal




A necessidade de decidir qual rumo tomar na vida é uma tendência natural de todo homem, pois estamos sempre diante das escolhas. Elas nos conduzem concomitantemente a uma tomada de decisão e esse processo nem sempre é fácil para nós alguns preferem ignorar este aspecto da nossa existência achando que assim podem livrar-se desta tortura. O fato é que, não fazer uma escolha já é uma opção.

Na fase da juventude, os questionamentos sobre as verdades existenciais sejam com relação ao tempo presente ou até mesmo acerca do futuro, são como que companheiras inseparáveis, o jovem encontra-se num período em que ele precisa de um direcionamento, isso é fundamental. Cada um de nós carrega dentro de si um ideal, na pré-adolescência eles foram (ou são) a força motriz dos nossos sonhos – quando crescer quero ser um empresário... um cantor famoso... Um jogador de futebol... um médico... Ou até mesmo um padre – todos estes pensamentos foram ou são uma forma de nos lançar à busca de uma concretização dos nossos desejos no plano da vida. Infelizmente hoje muitos jovens deixaram de sonhar com uma carreira, perderam na luta da vida antes mesmo dela começar, como têm sido desastrosos os rumos que os jovens estão tomando. O tráfico de drogas, a prostituição e a violência são reflexos de uma vida que se tornou sem sentido para muitos adolescentes, quem caminha sem ter uma direção terminará no mesmo lugar, lembre-se disso.

Uma das capacidades inerentes da natureza humana é “ser”. Uma profissão – por exemplo – pode ser de forma parcial uma tentativa de auto-identificação. A identidade nos diz sobre nós mesmos. Diz a nós e aos outro o que realmente somos daí a importância de termos uma de maneira concreta que seja, de fato, expressão do nosso eu original.

Para melhor entendermos, levemos em consideração uma reunião ou, até mesmo, um encontro de igreja; geralmente se faz uma breve apresentação dos participantes os quais se dirá o nome e a atividade que cada um desempenha na sociedade com o intuito de denominar a sua identidade, o quê realmente essa pessoa “é”. Então, é perceptível dois aspectos interessantes no processo de identificação: uma afirmação e uma negação. Identificar-se é um jeito de afirmar aquilo que você é, mas também um jeito de afirmar aquilo que você não é; se eu afirmo que sou João estou automaticamente excluindo a possibilidade de ser Fernando, e assim por diante.

No mundo profissional fala-se muito em auto-realização porque ela está ligada intimamente com o aspecto de uma personalidade, fazer aquilo que você gosta através de uma determinada profissão o faz sentir-se bem; é o primeiro passo para o caminho da felicidade, esta por sua vez não é um estado psíquico absoluto, mas uma conquista que se faz cotidianamente em meio aos entraves da vida.

Estes conceitos gerais nos permitem estabelecer uma análise mais profunda – do ponto de vista da vocação cristã – acerca do chamado que Deus direcionou para cada um de nós, levando-se em consideração o desejo de Deus manifestado no processo vivencial instigado a uma livre adesão por parte da criatura humana.

A vocação do ponto de vista Cristão

Até aqui fizemos uma breve explanação do sentido geral da vocação, agora passaremos a analisá-la a partir da ótica Cristã.

A reflexão sobre a dimensão sagrada da vocação do homem enquanto ser criado à imagem e semelhança de Deus nos revela o quanto a nossa vida é um mistério. O santo Batismo nos insere na vida Divina de Deus Trindade, nos torna participantes do seu amor trinitário, inteiramente doado na pessoa do Espírito Santo. Por este motivo o chamado à santidade consiste numa proposta que o senhor nos faz para permanecermos unidos nesse amor, à medida que respondemos ao seu desígnio exercemos de maneira plena a nossa liberdade de filhos, ou seja, perante esse chamado especial, cada um é livre para acolher ou não o seu convite.

A Bíblia está repleta de personagens que souberam corresponder ao apelo de Deus, quero destacar aqui a figura de José e Maria que acolheram o projeto da salvação de corpo e alma e mesmo sendo jovens foram capazes de levar a diante a missão a eles confiada, sem por isso deixar de exercer sua liberdade.

A cada um de nós Deus deu uma vocação e todas são muito especiais; a uns para o sagrado matrimônio, que é expressão de doação da vida a dois e a outros, o da vida consagrada ou sacerdotal que é sinal de entrega radical em prol do seu reino. Como casados ou como religiosos Deus não cessa de nos atrair e de nos chamar para o serviço em prol do seu reino. Dirijo-me de maneira muito especial aos jovens, tornem-se sensíveis aos apelos de Deus em suas vidas, em meio a tantas vozes que nos falam sejam capazes de reconhecer em meio às tantas, a voz de Deus que nos diz “Vem e Segue-me” estejam dispostos a seguir um evangelho que oferece um caminho difícil de percorrer, mas que é capaz de preencher os vazios que há dentro de nós. Responder ao convite de Deus é fortificar a nossa identidade e sucessivamente encontrar a felicidade que tanto buscamos e que não está nos meios funestos que o mundo nos oferece, mas que consiste em fazer valer a vontade de Deus em nossas vidas.

De Marabá-PA
Antonio Victor Ferreira, post.OFMcap

domingo, 22 de agosto de 2010

ORAÇÃO DE DIANTE DO CRUZ DE SÃO DAMIÃO

Altíssimo e glorioso Deus, iluminai as trevas do meu coração e dai-me uma fé direita, esperança certa e caridade perfeita, bom senso e conhecimento, Senhor, para que faça vosso santo e verdadeiro mandamento. Amém.

(S. Francisco de Assis, "Oração diante do crucifixo")

Ser Cristão Hoje

Dizer-se Cristão, hoje, mais do que nunca consiste em um desafio explícito ao homem contemporâneo, pois é deixar-se envolver por compreensões que extrapolam a materialidade dos sentidos e especulações teóricas que tentam abarcar toda realidade, assim encontramos a admoestação do Evangelho de não nos inquietar com o comer, com o vestir.

O homem contemporâneo não está tão sensível àquilo que um dia já foi considerado ‘Palavra Oficial da Igreja’, e, tal Palavra por primazia é a Palavra de Deus, mas traz em si um desejo ou busca que o impulsiona, fazendo dele próprio um ‘ser insaciável de’, o que poderíamos em um primeiro momento chamar de fé, sem, contudo engendrar nesta primeira compreensão todos os elementos do Cristianismo no qual fomos criados e educados. Já o cristão, em sua vida ordinária, não está longe ou apartado desta mesma realidade, pois nela vive, se locomove e desenvolve com os que partilham a mesma fé ou não.

Fruto de uma longa tradição, de quase dois mil anos, os cristãos passam atualmente por uma crise, que envolve toda a sociedade, eu, você, nós, no tocante ao que é próprio de sua vida e modo de proceder no mundo (um mundo que é militante a espera do triunfante: tensão visível - invisível). Em tais modos de visão e compreensão acaba-se por partir, cindir, dividir, aquilo que é unidade e que é cada vez mais recuperada e estudada por inúmeras correntes de pensamento, das mais diversas áreas do saber humano, nas diversas e volumosas publicações de “auto ajuda; espiritualidade”.

O pano de fundo comum, é o mundo onde estamos, nosso chão, mas a motivação é variada e até dispersiva: para o cristão há o dado da Fé em uma Revelação pessoal e comunitária; já para quem não professa um credo de fé ou espiritualidade, opta por um modo de vida ou uma espiritualidade dentre várias a disposição no amplo “mundo comunicacional”, e, nesta vive e relaciona-se no mundo e com aqueles que o circundam (você e eu).

Entrar na realidade alheia o aproximar-se, dela, é tarefa estimulada pela Igreja Católica, que coloca seus fiéis como ‘discípulos e missionários’, mas também tem que ser tarefa desta mesma Igreja dar os necessários instrumentos de como encontrar e conviver nesta realidade tão plural, Clara diz que as irmãs que “o Senhor lhe dá são dons”, Francisco também diz ‘eu “o Senhor me deu irmãos” nos seu testamento, sendo que estas irmãs e irmãos são “os”, são plural, são manifestações, são modos diferentes de lidar e conviver.

Assim encontramos um grande e contínuo desafio aos que pretendem fazer um aprofundamento específico, que é ser Cristão, quer em vista de um fim definido e seleto, quer em vista de auto-conhecimento daquilo que denomina Fé. Em tal realidade encontramo-nos, para uma grande descida ao poço que somos nós e nele encontrar o que servir aos demais, a “água viva”, a “semente bem plantada e frutificada” ou simplesmente bater balde no fundo seco, sujo, empoeirado; uma descida que assusta, pois é aprofundamento de si, do entorno, da realidade como um todo, e, do eternamente desconhecido e desejado.

Por Frei Marcos Rubens Ferreira, ofm

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O chamado à vida, à comunhão com Deus e com o próximo.












Numa visão corriqueira, existe uma forte tendência que leva muito facilmente as pessoas a entender a vocação como pura e simplesmente uma identificação, inclinação ou aptidão. A que tudo indica ela é vista muito mais como um gosto pessoal. É verdade que essa aptidão ou inclinação deve existir. O que não se pode é esquecer que ela é uma conseqüência. Por isso, aqui faremos uma breve explicação com o significado etimológico da palavra vocação para se compreender melhor esse mistério na vida da Igreja e de todos os seres humanos.

Toda palavra usada em determinada língua possui uma raiz semântica, que pode ser muito significativa para a compreensão exata daquilo que o vocábulo pretende realmente exprimir. O termo vocação não foge à regra.

A palavra vocação deriva do verbo latino vocare, que significa simplesmente “chamar”. Ela é, pois, a tradução do termo vocacione, que por sua vez quer dizer chamado, chamada, convite, apelo.

A força misteriosa que atrai uma pessoa levando-a a abraçar determinado serviço, a fazer alguma coisa da qual gosta, é determinada no âmbito da fé como Deus. Isso mostra que só é possível entender perfeitamente a vocação em uma dimensão de vida alimentada pela Fé. Melhor dizendo: a vocação só pode ser entendida dentro do relacionamento do ser humano com Deus, ou seja, numa realidade teológica.

O primeiro chamado que Deus faz é o chamado à vida, à comunhão com Deus e com o próximo. Toda pessoa humana “tem o chamamento superior dAquele que o criou e chamou à existência. Pois desde a eternidade, Deus fez seu plano divino sobre todas as criaturas. A vocação de toda a criatura, especialmente a do homem, consiste em realizar o plano de Deus delineado por aqueles dons que o criador depositou nele. Fica, portanto, bem claro que a vocação não é algo criado pela pessoa humana. Ela descobre-se como ser vocacionado, chamado por Deus. Se a primeira vocação é o chamado à vida e esta não é uma iniciativa humana, cabe ao homem entender que quem toma a iniciativa de chamar é Deus. A pessoa humana deve apenas responder a esse chamado.

Esse mistério que envolve a vontade do nosso criador e Pai e a nossa doação e realização neste mundo é refletido particularmente pela Igreja no Brasil durante o mês de agosto. Em cada semana se reflete sobre uma forma específica de vocação.

Na primeira semana o tema meditado é sobre o ministério ordenado: Diáconos, Padres e Bispos. Estes são chamados a configurar-se a Cristo de modo radical, no exercício ministerial do múnus profético, sacerdotal e régio.

Na segunda semana nossa atenção volta-se para a vocação à vida em família, que tem seu fundamento no sacramento do matrimônio. A vida matrimonial também é uma grande vocação, e portanto, um ministério, é participação no sacerdócio comum (não ordenado), por meio do qual se celebra o amor e o dom da vida em colaboração com a obra criadora e salvífica de Deus. A família que tem como base o matrimônio fundamenta a Igreja doméstica e o lar cristão, lugar privilegiado no qual os casais devem elevar, a cada dia, a oração a meditação e o ensino da Palavra de Deus e a transmissão dos valores cristãos e humanos.

Na terceira semana se reflete, ora e se dedica à Vida Consagrada dos Religiosos e Religiosas e leigo(a)s consagrado(a)s. Homens e mulheres que, querendo seguir Jesus de uma forma menos natural e comum, buscam imitar a Cristo na Pobreza, Obediência e Castidade.

Na ultima semana se reflete sobre o importante ministério dos leigos na comunidade, que nas mais diversas pastorais colocam-se a serviço do povo de Deus. Os ministérios extraordinários da comunhão eucarística e dedicados à liturgia, os catequistas em particular e tantos outros.

O mês de agosto é, portanto, uma ocasião para cada cristão refletir sobre a forma em que está respondendo a Deus e aumentar a intensidade de seu relacionamento através do qual se ouve, obedece e enriquece o mistério de Deus presente na vida humana e tão intimamente ligado às necessidades de cada ser criado. Que cada cristão possa entender à luz da palavra de Deus que o modelo de resposta está em Cristo, o servo obediente e humilde. E que não existe vocação superiora a outra, assim como todos os serviços convergem para a edificação do reino de Deus.

Frei Haroldo Britto – OFM Cap.
Secretario para Animação Vocacional